DISTRAÇÃO DIGITAL – VOCÊ SOFRE COM ISSO?

Estava dirigindo na estrada e o carro à frente começou a fazer zigue-zague. Imediatamente aumentei a distância e pensei que talvez o motorista estivesse com sono, dormindo ao volante. Ou talvez, estivesse sob efeito do álcool ou drogas. Mas mudei de faixa e o ultrapassei.então, vi que ele estava distraído usando o celular.
No trabalho, um funcionário que era eficiente, agora já não atua da mesma forma,está menos focado e tem dificuldade de concentrar-se. Quando parece que vai conseguir a concentração necessária, o celular emite um som e pronto, perde o foco no trabalho. Chega a hora do almoço e os colegas saem juntos para almoçar, mas cada um usa o próprio celular para distrair-se enquanto se alimenta. Nem percebem quem está sentado ao lado.
Cada membro da família passa o dia realizando as próprias atividades e quando chegam em casa jantam assistindo a TV e olhando a correspondência, o face ou outras novidades no celular. Novamente se esquecem de dar atenção a quem está ao seu lado.
Na escola os professores travam uma batalha para tornar suas aulas mais atrativas, pois o aprender em sala-de-aula compete com a tecnologia a que os alunos têm acesso nos celulares, Ipod, tv, computador videogame. E são tecnologias que entregam tudo pronto, o aluno só precisa realizar a atividade mecânica de apertar teclas.
E se no jogo tiver que matar ou morrer? Fácil! É só reiniciar! Desaparece assim o senso de realidade – na vida real quem morre morto está e morto fica. Se matou alguém, usurpou dele o direito à vida,cometeu um crime. Isto não é correto nem aceitável. Em excesso, os jogos aumentam a destreza de apertar teclas e botões assim como aumentam a ignorância e a alienação da realidade.
Nas academias acontecem acidentes nos aparelhos, porque as pessoas se distraem usando o celular.
Vejam como o fato não é recente. Segundo uma pesquisa realizada em 2012 e publicada no UOL em 2013, vinte milhões de pessoas perderam seu meio de transporte(ônibus, trem e até avião) por estarem distraídas usando seus celulares.
Vivemos na era digital. Temos acesso à tecnologia que nos prende, fascina e vicia.
Como conviver com tantas informações instantâneas?
Como resistir a tantas mensagens, face, correios, músicas, fotos, sites?
como saber administrar tudo isso?
A resposta é complexa, porém usando o bom senso e estabelecendo prioridades, conseguiremos adequaras nossas tarefas e obrigações com os nossos momentos de curiosidade, satisfação e lazer ao usar a tecnologia.
Se não conseguir, peça ajuda!

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A agressividade

Quando pensamos na palavra Agressividade, muitas imagens e ideias vêm a nossa mente. Diariamente vemos nos telejornais inúmeras notícias que desejaríamos que não houvessem ocorrido.  Espantamos-nos com o nível crescente desse sentimento que gera condutas inadequadas e prejudiciais a todos.

De onde vem  tanta  hostilidade, raiva e  ira que se transformam em agressividade verbal e  física?

Sabemos que o ser humano carrega dentro de si sentimentos antagônicos como o amor e o ódio. Mas é na infância, no desenvolvimento das relações familiares, que a criança vivencia esses sentimentos e aprende a lidar com eles.  A noção de limites, de certo e errado, e dos valores, modularão a expressão deles.

No início o bebê não tem consciência do outro e  o que sente é o que importa. Ele é egocêntrico. Com o passar do tempo e o seu amadurecimento, ele aprende a distinguir o que faz parte dele e o que não faz; toma consciência da mãe e do ambiente que o rodeia. Inicia assim a sua vida em sociedade. Percebe que não é o centro do universo e que os outros também têm vontades que nem sempre coincidem com a dele.  Mas se não aprender a entender e respeitar o próximo, será um egoísta e terá mais dificuldade de adaptar-se à vida em grupo.   São as crianças que fazem birra e conseguem o que querem, porque os pais não explicam a elas que há limites que devem ser observados, entendidos e seguidos.

A agressividade pode ser aprendida pela criança se ela vive em um ambiente hostil, onde as pessoas não se respeitam e vivem brigando. Para essa criança, isso passa a ser normal, uma vez que os pais são o modelo a ser seguido.

O que a criança vê em casa, repete na escola e em qualquer lugar onde estiver. Se ela não respeita os pais, terá muita dificuldade em respeitar o professor, o diretor e os colegas de classe. E sabemos que violência gera violência.

O ideal seria que essas famílias procurassem auxilio profissional, visando ter um ambiente mais saudável para criar seus filhos.  Respeito e carinho são fundamentais na formação da personalidade, assim como a noção de limites, de certo e errado e os valores que orientam o comportamento.

Por tudo isso que foi citado que encontramos nas ruas tantas pessoas egoístas e agressivas. Seja aquele pedestre que atravessa a rua devagar ou correndo entre os carros, seja aquele motorista que não respeita os pedestres e os sinais de trânsito.  No transporte coletivo vemos jovens ocupando os lugares dos idosos ou de pessoas com alguma deficiência.  Nos estacionamentos, não se respeitam as vagas para idosos e deficientes. Nas filas os idosos ficam até constrangidos de serem atendidos antes, porque notam os olhares de reprovação daqueles que ainda não chegaram à velhice e não percebem o cansaço e as dificuldades do ser humano nessa fase da vida.

A frustração também causa agressividade, pois o indivíduo que não consegue alcançar seus objetivos, só enxerga que a culpa é dos outros e não vê como pode superar essa fase e tentar novamente.

A capacidade de tentar de novo quando algo não der certo e  de se colocar no lugar do outro para entender o semelhante,  é  fundamental para diminuir os comportamentos agressivos e ter uma vida mais equilibrada. Haveria menos estresse e ansiedade dentro de cada um.

Procrastinar, Postergar, Deixar pra depois.

Adiar, delongar, pospor, protelar, retardar…
Existem várias palavras para definir uma ação que vai ser adiada. E cada vez mais as pessoas levam a vida adiando suas decisões.
Que caminhos a intenção percorre até chegar à fase da decisão e ação?
Por que há a chamada preguiça que atrapalha a decisão de agir?
Muitas são as perguntas e maior ainda é o número de desculpas para não fazer algo. O fato é que o que é deixado pra depois, geralmente, é necessário no momento seguinte. O trabalho que o chefe pediu; a pesquisa para o trabalho do TCC ou da pós, a ida ao médico, a academia ou mesmo visitar uma amiga. Tudo fica para outro momento – agora não!
O que acontece depois? Há tempo para realizar as tarefas ou não?
O que acontece se o chefe pede o trabalho e ele não foi realizado?
E quando chegar o dia de entregar o TCC ou apresentar a tese?
Adiar a tarefa traz consigo um sentimento de que ela não é tão importante ou necessária e dá preguiça. Cremos que teremos muito tempo disponível para realizá-la.
relogio
O tempo passa e chega a hora que não há mais tempo para ir levando. É hora de tomar uma atitude, realizar o que foi deixado de lado. Então vem a surpresa: o tempo não será suficiente para terminar tudo!!! Começa a correria e com ela, a falta de qualidade, capricho, atenção. Os sentimentos que acompanham essa fase são: ansiedade, estresse, culpa, raiva de si próprio. Há um certo masoquismo: não há tempo para dormir, alimentar-se e descansar antes de terminar tudo.

Isso ocorre independentemente do grau de dificuldade da tarefa, ou seja, tanto quando é fácil como quando é difícil, a atitude de quem está acostumado a postergar é a mesma. O tempo que teria para realizar o que é necessário, é utilizado para outras atividades que não são necessárias. Assim se encontra tempo para ver a novela, navegar na internet, sair sem destino ou fazer outras atividades que não tem tanta prioridade.
E por falar em prioridades, como estabelecer o que é prioridade? Quem melhor que você mesmo para saber quais são elas?
agenda

Em casa, sente-se e defina quais são seus objetivos a curto, médio e longo prazo. Então poderá estabelecer as ações que são prioritárias para alcançar os objetivos.

Use uma agenda para melhor distribuir as tarefas pelos dias, semanas e meses. Dessa forma é mais fácil definir as suas ações.
Psicóloga: Inês Hurtado
CRP 06/19519

Professor – profissão de desafios e problemas

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O professor é  aquela pessoa que pensa contribuir para tornar a sociedade melhor, através do seu trabalho de formar seres humanos que com suas habilidades e capacidades encontrarão seu lugar na sociedade.
Preocupa-se com o conteúdo e as estratégias que irá usar para transmitir os seus conhecimentos e tornar a aula agradável e interessante.
O salário não é o que o mantêm na carreira, na grande maioria dos casos.  Sabemos que os professores são mal remunerados pelas horas trabalhadas. Na realidade, o seu trabalho tem início com a preparação das aulas, continua  em sala de aula e prossegue após as aulas,  com a correção de trabalhos, provas, cadernos e apostilas.  Avalia se há necessidade de reestruturar suas aulas ou pode seguir adiante.
Essa é a parte mais fácil da profissão, o que é previsível e controlável. O professor dedica anos de sua vida  estudando e formando-se para isso.

A parte mais difícil é a que tem trazido  professores para a terapia:  a convivência com os alunos, pais, coordenadores e diretores. O estresse advindo desses relacionamentos tem prejudicado o desempenho e a vida pessoal e profissional deles.DSC04446

Há trinta  e três anos, quando me formei como professora, esses problemas praticamente inexistiam.  Isso porque as crianças vinham para escola com vontade de aprender e recebiam dos pais a instrução de respeitar o professor.
O professor representava a figura dos pais, na ausência dos mesmos.  Os alunos respeitavam e obedeciam as ordens dadas.  As aulas transcorriam  bem e o professor podia transmitir seus conhecimentos e ver, com satisfação, o progresso dos alunos.  Os alunos, por sua vez, aportavam suas ideias e conhecimentos para enriquecer as aulas. Havia uma troca de informações.   Nas festas escolares os professores se esmeravam para ensaiar números novos onde cada aluno pudesse mostrar sua alegria ao participar.  As famílias vinham para assistir e prestigiar, trazendo também, tios, avós, primos e vizinhos. Era uma confraternização onde todos saiam felizes.

Ao longo dos anos,  as transformações ocorridas na sociedade se refletiram dentro das salas de aula.  As crianças não mais recebiam a instrução de obedecer e respeitar o professor.  O professor deixou de ser respeitado como um pai ou mãe, até porque os filhos perderam o respeito pelos pais.  Os pais na ânsia de serem liberais se perderam na hora de estabelecer limites e transmitir valores.
As crianças pensam que sabem tudo e podem tudo. Até chegar ao triste quadro que vemos, no noticiário da TV,  de crianças que ofendem e agridem fisicamente os professores. Pais que vão à escola, sem saber como agem seus filhos na sua ausência, e põem a culpa no professor pelas más notas do filho.
A televisão, a internet e os meios de comunicação transmitem informações às  crianças que nem sempre têm a maturidade para entendê-las.

Os valores mudam radicalmente: se usam as pessoas e se amam os objetos.

A formação perde o sentido quando ouço de um pai:

-Se passar de ano, te dou um carro!

O filho vai “tirar a nota” que precisa não porque quer aprender, mas sim porque quer o carro.  Que valor esse pai transmite ao filho?

O sistema também mudou e por longos anos não se podia reprovar o aluno. Davam a ele todas as chances de alcançar a nota necessária. Caso isso não ocorresse, podia fazer um trabalho para complementar a nota. Os alunos sabiam e nem se preocupavam, pois sabiam que não repetiriam o ano e não haveria punição pela falta de estudo e mau comportamento.

Com tantas mudanças, o desafio do professor é cada vez maior.

1-     Dominar o conteúdo, preparar uma aula interativa, interessante e que compita com a velocidade das informações obtidas pelos alunos na internet.

2-     Ter jogo de cintura e driblar o mau comportamento dos alunos.

3-     Adequar-se à realidade da instituição onde presta serviço.

4-     Tentar formar o indivíduo que lhe foi confiado no papel de aluno, transmitindo os conhecimentos e valores necessários.

5-     Estar disponível sempre  que a escola o requisitar.

6-     Ter autoestima elevada para aguentar todas as adversidades sem deixar transparecer o seu cansaço, aborrecimento, desapontamento e  tristeza em todas as ocasiões em que seus direitos são desrespeitados.

Poderia prosseguir com essa lista, mas creio que já é suficiente para exemplificar alguns motivos que levam um professor a fazer terapia.

A terapia é um momento onde o professor pode expor todos os seus sentimentos e dificuldades. É um espaço de reflexão e reavaliação de sua atuação, de seus conceitos e objetivos. É o momento para estabelecer novas metas para o seu futuro próximo e também para o distante.

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