Obesidade – Como evitá-la

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3º Simpósio sobre Obesidade na Infância e Adolescência do HC – FMUSP

Texto escrito por Inês Hurtado de Oliveira Niero

Psicóloga associada a ABESO

Obesidade – Como evitá-la

A obesidade é uma doença que atinge as pessoas no mundo todo, independentemente de sexo, idade ou poder aquisitivo.

Muito se tem alertado, estudado e discutido a respeito, porém, se não houver uma consciência a nível familiar, pouco se pode fazer.

A família é onde se da o primeiro contato com o mundo exterior. É com ela que aprendemos e adquirimos hábitos e atitudes.  Vem daí a importância da formação de hábitos alimentares na infância. Se a mãe oferece água ou suco de laranja, quando a criança tiver sede vai procurar uma dessas alternativas para beber. No entanto, se a mãe oferecer um refrigerante, dificilmente essa criança se contentará com suco ou água.

O mesmo ocorre com os lanches naturais x salgadinhos da hora do lanche.

Assim, é dentro de casa que temos que iniciar a prevenção contra a obesidade. A partir do momento em que ocorre o desmame e o contato com os alimentos, a mãe ou pessoa que cuida da criança, deve estar atenta aos horários de alimentação e à quantidade oferecida.

O nosso organismo tem um controle do que precisa ou não ingerir. Quando a criança não quer comer mais, é porque o seu cérebro recebe uma mensagem do seu sistema digestivo, avisando que está saciada.  Insistir e fazer a criança comer contra a vontade, é desrespeitar esse regulador interno.

Outro fator importante é a qualidade dos alimentos ingeridos.  Nosso organismo tem a capacidade de processar alimentos crus e de digestão mais lenta.  Porém, na sociedade atual, os alimentos são muito processados e de fácil digestão, o que leva a uma digestão mais rápida e conseqüente sentimento de “fome” em um espaço de tempo menor. O resultado é uma maior ingestão de alimentos em curto espaço de tempo.

A tudo isso, se alia a vida sedentária, seja pela falta de oportunidade, seja pela facilidade.

Antes as crianças brincavam na rua: corriam, jogavam bola, esconde-esconde, queimada; andavam de bicicleta e patins.  Na hora de ir para a escola, caminhavam na ida e na volta.

Agora por motivo de segurança, não podem brincar na rua. Ficam dentro de casa conectadas via internet, ou jogando videogame. O único movimento que realizam é com os olhos e os dedos.   Vão para a escola com o transporte escolar ou de carro com os pais. Quando não estão sentadas jogando, estão sentadas estudando.

Se tudo isso já é sabido, por que é tão difícil combater a obesidade???

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Porque falar é fácil, porém mudar comportamentos é difícil.  As pessoas se habituam e acomodam a uma “rotina” e mudá-la requer uma boa dose de consciência e atitude, segundo Dr. Mauro Fisberg.

É sabido que a obesidade traz consigo outras doenças: cardiovasculares, ortopédicas, psicológicas, respiratórias, displasias… por isso devemos ter a consciência que a mudança de atitudes é necessária se quisermos ter uma qualidade de vida melhor.

A mudança da dieta, incluindo a quantidade e qualidade dos alimentos, aliada a atividade física é a melhor, senão a única maneira de obter um resultado positivo e em longo prazo, que resulta numa vida mais saudável e prazerosa.

Não podemos esquecer a importância do sono na saúde. É durante o sono que os níveis dos hormônios se restabelecem. Quem dorme menos, ganha mais peso.

Uma noite mal dormida impacta no estado de humor da pessoa, gera cansaço e ansiedade.

A obesidade pode causar a apnéia do sono, doença que pode trazer mais comorbidades associadas.

Segundo Dr. Gilberto Formigoni, a apnéia do sono pode ser detectada através dos seguintes sintomas: ronco, pausa respiratória, sono agitado, sudorese noturna, sono em posições estranhas, despertares freqüentes, boca seca, enurese, babação, esforço para respirar, sonolência diurna, agitação, déficit de atenção, baixo rendimento escolar, déficit de crescimento, hipertensão arterial e hipertensão pulmonar.

Obesidade – Como tratá-la

Uma vez instalada, a obesidade é de difícil combate.  A mudança da educação nutricional deve ser radical.

Sabe-se que a origem da obesidade é multifatorial: genética, ambiental e comportamental.

Quanto ao aspecto genético, sabe-se por estudos com gêmeos idênticos, que eles ganham e perdem peso de forma semelhante.

Filhos de pais obesos têm maior predisposição a ser obesos na vida adulta. Isso não quer dizer que eles serão. Depende do ambiente e de como se comportarão nele.

Segundo o Dr. Durval Damiani, a obesidade tem que ser estudada levando em conta as diferenças do organismo de cada individuo. O metabolismo é diferente.  Assim, a ida a um endocrinologista e o tratamento são fundamentais para detectar as possíveis causas que levaram o individuo a atingir o peso acima do esperado.

Aliado ao tratamento com o médico endocrinologista, a Nutricionista é a responsável pela elaboração do cardápio individual.

O Psicólogo trata de todos os problemas que podem ser responsáveis pela obesidade e sua manutenção, assim como auxilia na melhora da auto-estima e convívio social.

São sintomas de problemas psicológicos: depressão, baixa autoestima, isolamento, desânimo, hipersônia, mau desempenho escolar, irritação sem motivo, falta de interesse generalizada.

Dr. Marcio Mancini afirma que o tratamento medicamentoso deve ser feito quando a criança é obesa e não teve êxito com a mudança alimentar e os exercícios. Crianças obesas na faixa etária entre os dez e quinze anos tem 80% de probabilidade de tornarem-se adultos obesos.

Quando a obesidade ultrapassa os níveis que podem ser tratados com medicamentos, e a pessoa tem grau de obesidade 3, é aconselhado o tratamento cirúrgico.

A cirurgia bariátrica deve ser indicada pelo médico e o paciente deve ser bem informado de todos os riscos e benefícios. Ele deve ser persistente e saber que a cirurgia não é a solução mágica para a obesidade. Ela é o ponto inicial de um longo tratamento, que se estenderá por toda a sua vida, afirma o Dr. Dênis Pajecki… Os exames e a suplementação com vitaminas devem ser seguidos à risca, se o paciente quiser ter uma boa saúde.

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