A difícil arte de ser em nossa sociedade

Inês Hurtado de Oliveira Niero

O bebê nasce e já está inserido em uma sociedade com suas regras, língua e cultura.

Diferente dos animais, o ser humano passa por um longo período de aprendizagem, para interagir na sociedade. Pode-se dizer que a aprendizagem é continua e interminável.

Sendo a família o primeiro modelo de sociedade, é ali que aprende os conceitos básicos necessários para a sua sobrevivência. A família é a base, é onde a criança aprende a amar e ser amada. Aprende a confiar. Aprende o que é certo e errado. O que é bom ou prejudicial à sua saúde física e mental.

Antes as famílias eram estruturadas da mesma maneira Eram formadas por um pai, uma mãe, podendo ter irmãos, avós e tios que moravam junto. Porém, atualmente isso mudou muito.

Há muitas mães que criam seus filhos sem a ajuda de um pai. Há crianças adotadas por casais do mesmo sexo ou por pessoas solteiras.

A criança não tem o mesmo referencial , e no início, não tem maturidade para entender o que está acontecendo com ela. Não entende porque a sua família não é igual à família de seus amiguinhos. Nas festividades da escola, sofre quando “festeja” o dia das mães ou o dia dos pais.

Muitas vezes a função “pai” é desempenhada por um tio ou o avô , assim como a função mãe é desempenhada pela tia ou avó. Nesses casos, a criança se identifica com essas pessoas como se fossem seus pais biológicos. Na realidade, pai e mãe são os que cuidam, protegem e dão amor.

Com as mudanças sociais, houve a necessidade da mulher trabalhar fora de casa e também o desejo de seguir uma carreira. Com isso, o cuidado diário e a educação das crianças, foi delegado às pessoas que ficam em casa durante o dia, e também às escolas.

Muitos pais trabalham e estudam. Saem cedo de casa para trabalhar e depois do serviço vão para a universidade. Quando saem de casa, a criança está dormindo, porque é muito cedo.

Quando retornam ao lar, já é muito tarde, a criança está dormindo. Assim, o contato com os filhos se restringe aos fins de semana, onde os pais tentam ser e fazer para os filhos tudo o que não puderam fazer durante a semana.

Surgem os sentimentos de carência, culpa e insegurança. Surgem as dificuldades de estabelecer regras e impor limites.

As crianças pequenas geralmente fazem birra, choram e deixam os pais desesperados, sem saber como agir, como fazer com que a criança pare de chorar e entenda. É nessa hora que lhe concedem os caprichos, para vê-la “feliz” e para que pare de fazer escândalo.

A criança aprende muito rapidamente, que fazendo birra consegue o que quer, mesmo sabendo que não está certa. Na realidade, esta criança está pedindo aos pais que lhe ponham limites, que tenham coragem de dizer um Não, quando o que ela quer não está certo.

Dizer Não, impor limites, é uma forma de demonstrar amor, de dizer à criança o que é bom ou não para ela. Isso implica diretamente na qualidade do relacionamento pais – filhos.

O que importa é a qualidade e não a quantidade de horas que passam juntos.

A escola é o segundo modelo de sociedade. Lá a criança se socializa com outras crianças, descobre outras realidades, aprende de tudo.

Há um ditado popular muito antigo: “A educação vem de berço”. Isso é verdadeiro, porque quando a criança entra na escola, já adquiriu hábitos, costumes e regras.

A função da escola é formar o ser humano como um todo em seus aspectos intelectuais, emocionais e sociais. É também função da escola informar, ensinar as disciplinas que propiciarão um futuro melhor a cada um.

Assim, a família e a escola devem “falar a mesma língua”, ou seja, ao escolher uma escola para a criança, os pais devem optar por uma que tenha os mesmos objetivos que pretendem para seu filho/a. Devem conhecer a escola, falar com os coordenadores e a direção e ir sempre que houver reunião de pais e mestres. Esse elo escola-família é fundamental para a criança.

A criança sabe que a sua família a matriculou num lugar seguro e amigo, onde terá espaço para desenvolver suas habilidades, gostos e aprender com tranqüilidade. Sabe que se encontrar dificuldades, a professora comunicará a famíla e juntas a ajudarão a superar os obstáculos.

Na escola a criança se socializa e aprende a esperar sua vez, compartilhar objetos, respeitar regras, adquirir novas responsabilidades com seu material e tarefas. Aprende a respeitar o próximo e que há direitos e deveres.

O seu direito termina onde começa o direito do próximo. Há pessoas que vivem a vida inteira sem entender isso… Isso é questão de maturidade!

Além da família e da escola, a criança é atingida por uma enorme quantidade de informação diariamente, advinda da televisão e da internet. São informações de todo o tipo, que nem sempre são adequadas à idade da criança. Geralmente os desenhos e os videogames são muito agressivos.

Mostram uma violência gratuita e a banalizam, como se isso fosse o normal. As crianças “aprendem” a atirar para matar, destruir, exterminar e eventualmente “morrem” se erram os tiros. Isso lhes da um poder mágico de viver e morrer, como se na vida real fosse possível. Faz nascer um sentimento de onipotência, “eu posso fazer tudo o que quero”.

Outro fator que distorce a realidade, são as cenas de sexo explícito. As crianças não tem maturidade para entender que por trás delas deveria haver um sentimento maior entre aquelas pessoas. O sexo passa a ser mais uma distração, um passatempo, onde se ignoram os sentimentos que possam provocar no parceiro. O outro não é levado em conta.

Assim, com todos esses agravantes chega a criança no período da adolescência.

Período da eclosão dos hormônios, namorar, ficar…

Período de escolher uma profissão, definir um rumo para o futuro…

Que parâmetros tem o adolescente para escolher uma profissão???

Muitas vezes se deixa influenciar por amigos, a melhor amiga quer ser veterinária porque adora levar o cachorro para passear… Mas o que é ser veterinária? Quais as funções? Será que ela gosta de anatomia e de ver sangue?

O tio é rico, fez administração e ganha muito dinheiro. Olha filho, siga os passos do seu tio! Mas o que faz um administrador? Quais as matérias que compõe o curso? Será que ele vai gostar e tem as habilidades necessárias para desempenhar a função?

Ahh… está na moda ser Turismóloga. Faça uma faculdade de turismo e viaje bastante…

É necessário ter calma e analisar as características, habilidades e interesses do adolescente, para que a escolha seja acertada e ele possa se realizar, como profissional, no futuro.

O importante é SER feliz, independente do que se tem.

Em todos os momentos de dificuldades, saiba que pode contar com a ajuda de um psicólogo!

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